{"id":13,"date":"2025-11-27T17:38:37","date_gmt":"2025-11-27T17:38:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vicente-coimbra.pt\/?page_id=13"},"modified":"2026-06-08T09:09:34","modified_gmt":"2026-06-08T09:09:34","slug":"sobre","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/vicente-coimbra.pt\/index.php\/sobre\/","title":{"rendered":"O Voo do Autor"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal-682x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-66\" srcset=\"https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal-682x1024.png 682w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal-200x300.png 200w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal-768x1154.png 768w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal-300x451.png 300w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal-850x1277.png 850w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Eu-na-minha-cidade-natal.png 1023w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vicente Coimbra nasceu em Coimbra, onde o Mondego corre sem pressa de chegar ao mar. Cresceu numa cidade onde as ruas eram o quintal comum das casas e as crian\u00e7as chegavam ao largo como folhas levadas pela \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um homem que escreve, e h\u00e1 outro que vive.<br>O que vive chama-se <strong>Jo\u00e3o Sim\u00f5es<\/strong> \u2014 filho da sua m\u00e3e, filho da sua terra, feito de perdas, sobreviv\u00eancias, trabalho e sil\u00eancio. \u00c9 ele quem carrega a mem\u00f3ria, quem sofreu a morte do pai cedo demais e a da m\u00e3e tarde demais, quem caminhou pelo semin\u00e1rio, quem trabalhou noites como vigilante, quem aprendeu que a lucidez d\u00f3i mas disciplina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que escreve n\u00e3o podia chamar-se Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chama-se <strong>Vicente Coimbra<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vicente<\/strong>, porque \u00e9 o nome do corvo de Torga \u2014 o \u00fanico que ousou n\u00e3o voltar para a Arca, o que enfrentou Deus com a l\u00f3gica simples da liberdade, o que recusou a salva\u00e7\u00e3o impostora e escolheu ser dono do pr\u00f3prio destino, mesmo que isso significasse morrer.<br>Vicente \u00e9, para mim, essa figura: o ser que olha o mundo de frente, sem a protec\u00e7\u00e3o da f\u00e9 ou das ilus\u00f5es.<br>O ser que prefere a verdade dif\u00edcil \u00e0 seguran\u00e7a f\u00e1cil.<br>O ser que, molhado at\u00e9 aos ossos, pousa no \u00faltimo peda\u00e7o de terra e diz: <strong>\u201cAqui fico, porque aqui sou livre.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coimbra<\/strong>, porque \u00e9 a nesga de terra onde nasci.<br>A minha Arca e o meu outeiro.<br>O lugar exacto onde a minha humanidade se exerceu: inf\u00e2ncia pobre, irm\u00e3os muitos, perdas grandes, afectos raros, trabalho duro, e a no\u00e7\u00e3o de que a cidade que me formou \u00e9 tamb\u00e9m o ch\u00e3o onde retorno sempre que escrevo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vicente Coimbra<\/strong> \u00e9, portanto, a fus\u00e3o destas duas for\u00e7as:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>o universal que desafia,<\/em><br>e<br><em>o local que sust\u00e9m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 pseud\u00f3nimo para esconder: \u00e9 nome para dizer melhor.<br>\u00c9 ferramenta, p\u00e1ssaro, territ\u00f3rio e gesto.<br>Escrevo com ele porque s\u00f3 ele me permite transformar feridas em sentido, mem\u00f3ria em claridade, vida em literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jo\u00e3o \u00e9 o menino da sua m\u00e3e.<br>Vicente \u00e9 o homem que olha o abismo sem pestanejar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E ambos, juntos, escrevem o que tenho para oferecer.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A palavra s\u00f3 presta se estragar qualquer coisa que fingia estar inteira.&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua obra atravessa poesia, prosa e televis\u00e3o com uma coer\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 de g\u00e9nero \u2014 \u00e9 de obsess\u00e3o. O tempo que foge. A dignidade dos que resistem. A lucidez que chega quando as ilus\u00f5es come\u00e7am a cair.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escreveu seis livros. Criou Halter Ego \u2014 uma consci\u00eancia sem piedade que diz o que o mundo prefere n\u00e3o ouvir. Desenvolveu o Circunstancialismo, sistema filos\u00f3fico sobre a possibilidade de ser. Escreve a s\u00e9rie O J\u00fari, sobre o julgamento de um homem que matou o filho para o salvar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor-682x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-67\" srcset=\"https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor-682x1024.png 682w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor-200x300.png 200w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor-768x1154.png 768w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor-300x451.png 300w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor-850x1277.png 850w, https:\/\/vicente-coimbra.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem-autor.png 1023w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O imposs\u00edvel ainda \u00e9 o meu territ\u00f3rio. Mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um territ\u00f3rio de derrota. Aprendi que habitar o imposs\u00edvel \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o humana. Nascemos, amamos, morremos \u2014 tudo isso \u00e9 imposs\u00edvel e acontece.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o novo mapa seja o dos pequenos gestos que resistem: o p\u00e3o partido, a m\u00e3o que segura outra m\u00e3o, o sil\u00eancio que n\u00e3o pesa.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o filho lhe perguntou o que devia ser quando crescesse, Vicente Coimbra respondeu sem hesitar: um homem de bem. Porque tudo o resto \u2014 profiss\u00e3o, sucesso, reconhecimento \u2014 s\u00e3o apenas circunst\u00e2ncias. Ser um homem de bem \u00e9 a \u00fanica coisa que verdadeiramente depende de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Tudo o que quero \u00e9 permanecer. E permanecer \u00e9 tudo o que n\u00e3o posso.&#8221;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vicente Coimbra nasceu em Coimbra, onde o Mondego corre sem pressa de chegar ao mar. Cresceu numa cidade onde as ruas eram o quintal comum das casas e as crian\u00e7as chegavam ao largo como folhas levadas pela \u00e1gua. 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