Aqui reúno os livros que publiquei e aqueles que virão.
Cada obra nasce de um percurso — memória, ética, ausência, lucidez — e da vontade de deixar ao leitor algo que permaneça.
Mais do que catálogo, isto é um arquivo vivo: o lugar onde a escrita se levanta do papel e encontra quem a lê.

Em As Penas do Corvo, a ferida aprende a voar. Estes poemas nascem do gesto de quem trocou o altar pela liberdade e descobriu, no ar rarefeito da dúvida, um sopro que não se ajoelha.
Entre perda e ascensão, uma voz que procura um chão de verdade — clara, incisiva, sem ornamento supérfluo. Sobre o peso da luz e o rumor do tempo. Sobre continuar, mesmo quando o céu não promete nada.

A Topografia do Impossível
Poesia
Entre o que existe e o que resiste, há a palavra. Este livro traça linhas de água que não desaguam, geografias que se confundem, pedras que guardam o eco do humano.
Quatro secções — Geografia de Nós, Hidrografia da Alma, Geologia da Palavra, Cosmogonia do Fim — desenham a tentativa de medir o indizível: o homem diante do limite.
Mais do que uma topografia, um espelho. O lugar onde a poesia se ergue contra a própria impossibilidade de dizer.

O Homem que Falava com a Ferrugem
Halter acorda em janeiro, com as contas por pagar e uma torneira interior que não fecha. Todos os homens carregam um lugar dentro de si onde a lucidez se torna insuportável — este livro chama-lhe pelo nome.
Uma história sobre o contágio entre a miséria real e a miséria pensada. Sobre a descoberta de que a dignidade não vive no conforto, mas na ferida aberta onde alguém decide não se tornar pior.

Da Vida, Da Lucidez e Do Que Resta
Poesia
Três movimentos: a fome de viver, a coragem de olhar a própria mortalidade, e o que o mundo deixa quando se gasta até ao fundo.
Estes poemas não consolam — endireitam. Não prometem saídas fáceis, mas oferecem o que há de mais precioso: a atenção suficiente para não desperdiçar o breve escândalo de ter existido.
Um livro para quem já provou a vida até ao fundo do copo e sabe que, mesmo quando tudo se perde, nada é deixado para trás.

O Teor Alcoólico de Ser
Poesia
Entre a vinha e o copo, entre o lagar e a boca, estes poemas percorrem as estações da existência como se cada gesto fosse uma vindima: nasce a uva, colhe-se o excesso, pisa-se a dor, fermenta-se a memória, decanta-se o que resta.
O vinho aqui não é tema pitoresco — é metáfora do que não se adia: o peso da saudade, o falhanço das promessas, a alegria desmedida de ainda assim continuar.
Cada poema é um gole. Alguns aquecem, outros ardem, outros custam a engolir. Nenhum deixa o leitor exatamente igual.